Museus dos EUA vendem obras de Picasso e Warhol para sobreviver

Museus dos EUA vendem obras de Picasso e Warhol para sobreviver

(Getty Images) (Bloomberg) — O abalo duplo trazido pela Covid-19 e pelo movimento de justiça racial chegou a locais de trabalho, escolas e questões de saúde. Mais discretamente, os museus dos EUA também estão sofrendo e sendo forçados a vender obras premiadas e ampliar a definição do que é a arte de qualidade.Por gerações, os museus operaram sob regras rígidas. Eles aceitavam doações que poderiam ser deduzidas de impostos e compravam obras de artistas de renome — a maioria brancos, do sexo masculino, europeus ou americanos. Em deferência ao aspecto sagrado de sua missão, os museus tinham permissão para vender uma obra apenas para comprar outra — não para pagar a conta de luz ou o salário dos funcionários responsáveis pela conservação do acervo.Em abril, depois que museus de São Francisco ao estado do Maine fecharam as portas devido à pandemia, a Associação de Diretores de Museus de Arte anunciou que, durante dois anos, as obras podem ser vendidas e os recursos aplicados em “cuidados diretos”, dando a cada instituição a possibilidade de definir o que isso significa.O impacto tem sido profundo. Os museus não estão apenas vendendo obras que estavam fora do mercado há muito tempo, como também estão adquirindo peças feitas por mulheres, negros e latinos. A expectativa deles é conquistar novos visitantes que encontrarão representatividade nas obras espalhadas por seus corredores silenciosos. Em outras palavras, estão expandindo o cânone e esperando transformar a crise em oportunidade.Obras-primas estão chegando ao mercado. Esta semana, na Christie’s, o Museu de Arte Everson, que fica em Syracuse, no estado de Nova York, vendeu sua única pintura de Jackson Pollock por US$ 13 milhões, e a instituição de Springfield, Massachusetts, vendeu um quadro de Picasso por US$ 4,4 milhões. A única obra de Lucas Cranach do Museu do Brooklyn vai a leilão na próxima semana, enquanto o Museu de Arte de Baltimore tenta encontrar compradores para a monumental Última Ceia de Andy Warhol por cerca de US$ 40 milhões.“Este é realmente um momento sem paralelo”, disse Brent Benjamin, presidente da Associação de Diretores de Museus de Arte e diretor do Museu de Arte de Saint Louis. Segundo ele, crises financeiras anteriores, como a de 2008, foram difíceis, “mas nunca vimos nada parecido com isso”.Os museus estão reabrindo lentamente, mas com quadro de pessoal reduzido — o Metropolitan eliminou 400 empregos durante a pandemia — e menos capacidade. Eles não podem realizar eventos presenciais para arrecadação de recursos nem aprofundar relacionamentos organizando viagens para exposições e feiras internacionais. Os estabelecimentos estão vendendo para sobreviver e as casas de leilões Sotheby’s e Christie’s estão bastante ocupadas.As obras são extremamente desejáveis porque são novas no mercado, historicamente significativas e vêm das coleções mais elogiadas. Newsletter InfoMoneyInformações, análises e recomendações que valem dinheiro, todos os dias no seu email:


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